O senador Aloysio Nunes Ferreira
(PSDB-SP), candidato a vice na chapa presidencial de Aécio Neves,
afirmou neste domingo (3) que seu partido irá apurar a responsabilidade
da presidente Dilma Rousseff na fraude dos depoimentos da CPI da
Petrobras, revelada pela ‘Veja’ desta semana. Gravações mostram que o
governo e lideranças do PT treinaram os principais depoentes da CPI para
investigar contratos superfaturados da estatal, como a compra da
refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. “Vamos apurar, pelo menos, a
responsabilidade moral de Dilma neste episódio”, garantiu.
O senador disse que é preciso investigar
a presidente Dilma neste episódio porque “é impossível que ela não
soubesse que estava se armando este crime contra uma instituição da
República”. Aloysio afirmou que já conversou com o senador Agripino
Maia, presidente nacional do DEM e coordenador-geral da campanha de
Aécio Neves à Presidência da República, e as ações serão impetradas
conjuntamente pelo PSDB e outros partidos de oposição, como o
Democratas. “Vamos já nesta segunda-feira entrar com várias
representações”, destacou.
Aloysio também citou que algumas dessas
representações serão contra “os funcionários do Senado que participaram
deste conluio, contra os parlamentares que agiram como bonecos de um
teatro de marionetes e contra os funcionários da Secretaria de Relações
Institucionais”. Ao falar da secretaria, Aloysio disse que o titular da
pasta, ministro Ricardo Berzoini, “já esteve implicado no escândalo dos
aloprados”, dossiê confeccionado por lideranças petistas contra os
candidatos tucanos nas eleições de 2006.
O senador defendeu, ainda, o afastamento
do relator da CPI da Petrobras no Senado, José Pimentel (PT-CE),
“porque ele foi uma das peças-chave dessa armação”. E considerou muito
grave a denúncia divulgada por VEJA, porque no seu entender ela
representa uma fraude contra uma instituição do Congresso Nacional.
“Imagino se isso acontecesse no congresso norte-americano, o que o
presidente do Senado dos EUA faria?”, indagou, cobrando também
providências de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado.
Farsa
A denúncia feita pela ‘Veja’ desta
semana revela que o governo e lideranças do PT teriam passado
previamente para os principais depoentes da CPI da Petrobras, dentre
eles a presidente Graça Foster e ex-diretores da estatal, perguntas que
seriam feitas por parlamentares, com o intuito de combinar as respostas.
A fraude é exposta por um vídeo de uma reunião entre José Eduardo
Sobral, chefe do escritório da Petrobras em Brasília, com o advogado da
empresa, Bruno Ferreira, além de outra pessoa não identificada. A
comissão parlamentar de inquérito foi aberta no primeiro semestre deste
ano depois de denúncias sobre contratos superfaturados da Petrobras,
incluindo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.
Para Aloysio Nunes, a “armação é uma
confissão de culpa da Presidência da República, com relação a todos os
desmandos ocorridos na Petrobras”. Segundo ele, o governo vem procurando
“abafar esses escândalos de todas as formas”. O senador disse ainda que
o episódio representa algo “muito feio, pois é como um estudante que
vai para o exame levando cola”.

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