(Foto: Reprodução/Youtube)
O show do rapper americano Kanye West, marcado para 29 de novembro em São Paulo, foi cancelado nesta quinta-feira (20) após a Prefeitura proibir o uso do Autódromo de Interlagos e em meio a um inquérito do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investigava riscos de discurso de ódio durante a apresentação.
A Holding Entretenimento & Networking, responsável pelo evento, confirmou o cancelamento e afirmou que a autorização para uso do espaço foi revogada pela administração municipal. A produtora disse que já havia pago cachê, taxas e despesas relacionadas ao show, mas não conseguiu manter a realização após a decisão do Executivo. Segundo comunicado, "fizemos todos os esforços para garantir a realização do evento, mesmo com o cachê do artista, taxas para uso do autódromo e demais despesas necessárias já estarem pagas, infelizmente, a autorização de uso do Autódromo de Interlagos foi revogada, unilateralmente, pela administração pública, escapando completamente da nossa esfera de atuação".
A Prefeitura justificou a proibição afirmando que não permite atividades com artistas associados a discursos antissemitas. O prefeito Ricardo Nunes declarou: “Em equipamento público da prefeitura, ninguém que faça apologia ao nazismo vai tocar ou cantar nem uma palavra. Nós não aceitamos e vamos fazer tudo o que for necessário para que a gente não permita que ninguém que faça apologia ao nazismo tenha qualquer tipo de atividade na cidade de São Paulo”.
A controvérsia ocorre desde 2022, quando Kanye West, também conhecido como “Ye”, passou a enfrentar repercussão negativa internacional após declarações antissemitas e elogios a Adolf Hitler, o que resultou em rompimento com marcas e restrições temporárias em plataformas digitais.
A produtora afirmou respeitar as decisões dos poderes públicos, mas disse não concordar com a posição adotada. Para a empresa, um espetáculo dessa dimensão “proporciona acesso à cultura e entretenimento, além de fomentar a economia da cidade”. A companhia também atribuiu a inviabilização do evento ao “clima político do município nas últimas semanas”.
Com o cancelamento, a organização informou que fará o reembolso dos ingressos. Nas redes sociais do “Urban Movement”, atração que receberia o rapper, a empresa comunicou que “garantimos que todos os valores pagos pelos fãs serão devolvidos integralmente, de forma segura, organizada e transparente”, e que os clientes receberão instruções por e-mail ou WhatsApp em até 24 horas.
O anúncio ocorre enquanto tramita o inquérito civil aberto pelo MP-SP, que buscava impedir manifestações de apologia ao nazismo durante a apresentação. A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos avaliou que havia “alta probabilidade de futura discriminação que pode ser bastante disseminada, causando dano social e moral coletivo”. A promotora Ana Beatriz Pereira de Souza Frontini afirmou que, apesar da garantia constitucional à liberdade de expressão, ela “não é absoluta” e escreveu: “O discurso discriminatório contra judeus excede os limites da liberdade de expressão”.
A portaria que instaurou o inquérito classificava como crime, por motivação de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, atos como a execução da música “Heil Hitler”, o uso de camisetas com suástica ou qualquer outro símbolo nazista em público ou nas redes. O MP determinou ainda que a Polícia Militar mantivesse uma equipe de prontidão para prender o artista ou produtores em flagrante caso ocorresse apologia ao nazismo.
O empresário Guilherme Cavalcante e o agente Jean Fabrício Ramos, conhecido como Fabulouz Fabz, foram notificados como responsáveis pela produção do “Urban Movement Festival 2025”, que traria o rapper ao país.

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