14 de out. de 2025

Extremistas decapitam mais de 30 cristãos em Moçambique


 Mais de 30 cristãos foram mortos por decapitação em uma sequência de ataques realizados no norte de Moçambique por militantes ligados ao Estado Islâmico. Os atentados ocorreram nas províncias de Cabo Delgado e Nampula e incluíram incêndios em igrejas, casas e outros alvos civis. O grupo terrorista divulgou imagens mostrando execuções e destruição generalizada, segundo informou o Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (MEMRI).

O Estado Islâmico da Província de Moçambique (ISMP) assumiu a autoria de diversos ataques durante a última semana de setembro. Em 26 de setembro, dois cristãos foram decapitados na localidade de Chiure-Velho, no distrito de Chiure. No dia seguinte, militantes atacaram a aldeia de Nacocha, também em Chiure, matando um cristão a tiros e incendiando duas igrejas. Na mesma data, a aldeia de Nacussa foi igualmente alvo de ataque, com a destruição de outras duas igrejas.

No domingo, combatentes invadiram a cidade de Macomia, matando quatro cristãos e saqueando bens locais antes de recuar. Na segunda-feira, o grupo afirmou ter decapitado outro cristão em Macomia. Já em 30 de setembro, o ISMP relatou um ataque à aldeia de Nakioto, no distrito de Mimba, província de Nampula, onde queimou mais de 100 casas e uma igreja. Na vizinha Minhanha, distrito de Memba, uma igreja e dez casas foram destruídas. Após os ataques, os militantes retornaram às suas bases.

De acordo com o Defense Post, moradores relataram que homens armados invadiram a região por volta das 20h, matando quatro pessoas e sequestrando outras quatro, entre elas uma mulher e suas duas filhas. Outro residente contou que um jovem foi morto a tiros por se recusar a entregar os pertences do pai. A escalada de violência tem provocado deslocamentos em massa e levou Moçambique a reforçar a cooperação militar com Ruanda, informou a revista ADF.

No dia 27 de agosto, o ministro da Defesa de Moçambique, Cristóvão Artur Chume, e o ministro da Defesa do Ruanda, Juvenal Marizamunda, assinaram em Kigali um acordo para ampliar a presença das Forças de Defesa do Ruanda na província de Cabo Delgado. Em setembro, o grupo realizou ataques em seis distritos, de Balama, no sudoeste, a Mocímboa da Praia, no norte, segundo dados do Projeto de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED).

Em 7 de setembro, combatentes do ISMP realizaram um raro ataque em Mocímboa da Praia, indo de casa em casa para identificar as vítimas. Foi o segundo incidente desse tipo desde setembro de 2021. Posteriormente, em 12 de setembro, autoridades militares de Moçambique e Ruanda reuniram-se em Pemba para avaliar operações conjuntas e reforçar esforços de estabilização no norte do país.

Segundo o ACLED, a movimentação dos militantes em Chiure, observada em agosto, representa uma expansão tática. Apesar de estimativas das Nações Unidas indicarem que o número de combatentes caiu de 2.500 para cerca de 280 no início do ano, o grupo mantém sua presença através de propaganda ativa. Tropas ruandesas, destacadas desde julho de 2021, continuam apoiando Moçambique em ações de contrainsurgência.

Uma atualização da Grey Dynamics em agosto informou que o Estado Islâmico vem operando a partir dos distritos centrais de Cabo Delgado e avançando em direção ao sul, encontrando pouca resistência nas estradas entre Macomia e Awasse. O ministro da Defesa moçambicano reconheceu que operações recentes não foram suficientes para conter o avanço dos insurgentes.

De acordo com dados das agências humanitárias, mais de 50 mil pessoas foram deslocadas do distrito de Chiure nas últimas semanas. Relatos indicam sequestros e recrutamentos forçados em aldeias isoladas. Os Médicos Sem Fronteiras suspenderam suas atividades em Mocímboa da Praia e iniciaram uma resposta de emergência para atender deslocados em Chiure, segundo a Associated Press. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirmou que mais de 46 mil pessoas foram deslocadas em apenas oito dias no fim de julho, sendo cerca de 60% delas crianças.

A insurgência islâmica em Moçambique começou em 2017 e já provocou a morte de ao menos 6.200 pessoas. O conflito levou à paralisação de um projeto de gás natural avaliado em US$ 20 bilhões da TotalEnergies, próximo à cidade de Palma, em 2021, após um ataque que deixou mais de 800 mortos. Em 2023, familiares de vítimas e empresas subcontratadas moveram uma ação judicial contra a companhia francesa.

As Nações Unidas estimam que mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas no norte de Moçambique desde o início da insurgência, resultado de uma combinação de violência extremista, seca prolongada e desastres climáticos, de acordo com o The Christian Post.

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