Antes de realizarmos alguma coisa, é bom refletir sobre a utilidade e o proveito de tal ação. Se vamos plantar, é preciso saber se haverá frutos ou tempo hábil para colhê-los. Embora o futuro possa ser imprevisível, a natureza da árvore e a estação já nos informam o que podemos ou não esperar.
Não se trata de pensar apenas na vantagem pessoal, mas de verificar se haverá proveito para alguém, mesmo que não seja para nós mesmos. Se a resposta for negativa, estaremos fazendo um trabalho inútil e desperdiçando tempo e outros recursos. Será que compensa entrar na faculdade aos 80 anos? Qual será o retorno do investimento?
Se houver ganhos, ainda precisamos verificar se valem a pena diante do preço a pagar. Jesus disse: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”? (Mc 8.36).
Sobretudo, a Bíblia nos mostra que Deus investiu muito em nós, mas o investimento divino pode ser desperdiçado, no plano pessoal, em função da nossa incredulidade, negligência ou desobediência.
A palavra de Deus foi inútil na vida dos israelitas que pereceram no deserto. Foi como a semente que caiu sobre as pedras ou entre os espinhos. “Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (Hb 4.2).
Mais grave era o risco apresentado por Paulo aos cristãos da Galácia: “Se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará” (Gl 5.2).
A afirmação do apóstolo é muito forte. Muitas pessoas viveram com Jesus, andaram com ele, ouviram seus ensinamentos e testemunharam seus milagres, porém não foram salvas.
Não desperdice a obra de Cristo, seu sangue derramado e sua morte na cruz. Os efeitos do evangelho não são automáticos, mas dependem da fé e da vontade humana. A proposta divina requer uma resposta positiva da nossa parte. Sem isso, podemos colocar a perder tudo que Deus nos deu e, no final, nenhum fruto restará.
:: Pr. Anísio Renato de Andrade

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