2 de jun. de 2019

A palavra não volta vazia


Foto: unsplash.com
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Os propósitos divinos referentes aos homens são expressos e viabilizados através da Palavra de Deus. Da nossa parte, é necessário crer e obedecer para que os melhores resultados sejam alcançados. De todo modo, alguma coisa acontecerá, mesmo que à revelia da nossa atitude. Quando Deus determinou o dilúvio sobre a terra, avisou Noé, que creu e construiu a arca para a salvação de sua família e dos animais. A mesma palavra que salvou Noé trouxe juízo e condenação sobre os que não creram nem se prepararam.
Propósito, palavra, fé e obediência se completam como os ingredientes de um bolo. A fé sem a Palavra de Deus pode ser mera crendice ou superstição. A fé sem obediência é semelhante ao amor sem ação, de cuja existência chega-se a duvidar. As obras sem fé são mortas, rituais inúteis ou sem efeito espiritual. A Palavra de Deus sem a contrapartida da fé humana também fica parcialmente prejudicada em suas implicações práticas.
Vejamos o que está escrito a respeito da maioria dos hebreus que saíram do Egito: “Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (Hb 4.2). Deus lhes prometeu a terra de Canaã, mas eles não entraram nela. O resultado, sob o aspecto pessoal, ficou prejudicado. Sabemos, porém, que os propósitos divinos são inevitáveis. A nova geração entrou na terra, e a palavra se concretizou. A água desperdiçada não é perdida, pois continua o seu ciclo, mas deixa de ser aproveitada por quem não soube utilizá-la. Assim é a Palavra de Deus. Ela é poderosa e não pode ser anulada, mas cada um de nós pode perder a oportunidade que ela nos oferece. Nesse ponto, soberania divina e liberdade humana se tangenciam. “Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.10-11).
Jesus disse que, entre os Seus ouvintes, haveria os desobedientes, que construiriam suas casas sobre a areia (Mt 7). Quanto desperdício de material! Judas Iscariotes foi um deles: ouviu inúmeras pregações do próprio Cristo, mas não foi salvo. A Bíblia contém diversas figuras que representam a Palavra de Deus: água (Ef 5.26), fogo (Jr 23.29), martelo (Jr 23.29), espada (Hb 4.12), lâmpada (Sl 119.105), luz (Sl 119.105), alimento (Mt 4.4), semente (1Pd 1.23), leite (1Co 3.1-2) etc. Alguns desses elementos podem ser benéficos ou prejudiciais. Tudo dependerá da forma como são utilizados.
A espada, por exemplo, é boa ou má? Tudo depende de qual lado estamos. Ela está em nossas mãos ou cravada em nossas vísceras? Nosso contato é com o cabo ou com a lâmina? Ela é a nossa arma ou somos a sua vítima? Para o soldado cristão, está escrito: “Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6.17). Para os descrentes e rebeldes, resta a lâmina: “Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.11-12).
O tipo de efeito da Palavra de Deus em nós dependerá de quem somos, ímpios ou cristãos, e da nossa atitude diante dele. A mesma pregação de Cristo foi considerada “duro discurso” por alguns, mas “palavra de vida eterna” por outros (João 6.60,68). “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18). De todo modo, a palavra não volta vazia. Se ela não salvar seus ouvintes, haverá de condená-los.
:: Pr. Anísio Renato de Andrade

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