Um levantamento realizado pelo site da
revista VEJA nos registros partidários do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) revelou que 61 dirigentes filiados ao PT, PSOL e PSTU comandam
sindicatos responsáveis pelo financiamento de manifestações que tiveram
participação de black blocs no Rio de Janeiro. A ajuda financeira dessas
organizações sindicais foi relatada por testemunhas e investigados na
Operação Firewall da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática
(DRCI).
Os Sindicatos são os dos Petroleiros do
estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), o Sindicato Estadual dos
Profissionais de Educação (Sepe-RJ) e o Sindicato dos Trabalhadores em
Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindsprev-RJ). Todos negam ter
patrocinado atos criminosos e afirmam que a polícia tenta criminalizar o
movimento sindical. Eles foram associados pela polícia a 23 black
blocs, que respondem na Justiça por associação criminosa.
Dos 40 dirigentes do Sindsprev, pelo
menos 18 são filiados ao PSOL, o que inclui os três sindicalistas no
comando da secretaria de finanças. E recursos do sindicato já foram
utilizados em campanhas do partido, de acordo com gravações de conversas
telefônicas flagradas da deputada estadual Janira Rocha (PSOL),
ex-diretora do Sindsprev. Janira, aliás, nunca pareceu se preocupar com
sua ligação com os vândalos mascarados. Há duas semanas, ela ajudou a
advogada Eloisa Samy, uma das ativistas com mandado de prisão preventiva
expedido por organizar atos violentos, a fugir de cerco policial no
Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro. Outros cinco dirigentes do
Sindsprev são do PCdoB.
No Sindipetro, cinco diretores são
filiados ao PT e outros cinco ao PSTU – entre eles Claiton Coffy,
secretário do diretório regional do PSTU no Rio de Janeiro. Já o Sepe,
que representa professores, possui 16 diretores filiados ao PSOL, outros
9 ao PT, e sete ao PSTU.
A polícia vem investigando se partidos
contribuíram com dinheiro para estimular quebra-quebra em manifestações.
A suspeita foi mencionada em depoimento de Caio Silva de Souza, preso
por lançar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade. A hipótese
voltou à tona com a Operação Firewall, porque os investigadores
reuniram evidências de ajuda financeira fornecida por sindicatos a
manifestantes violentos.
O diretor de finanças do Sindipetro-RJ,
Francisco Soriano de Souza Nunes (sem partido), diz que o sindicato, que
tem cerca de 5.500 filiados e arrecadação superior a 11 milhões de
reais em 2013, precisa contribuir para reivindicações populares
legítimas por um “compromisso moral”. “Se eu fizer campanha entre
filiados e pedir mais recursos para apoiar o avanço social do Brasil,
conseguirei. É um compromisso moral que nós temos”, afirmou Nunes.
Mas Nunes não sabe explicar como evitar
que a contribuição do sindicato acabe ajudando manifestantes
interessados em promover a destruição do patrimônio público e privado. A
Polícia Civil do Rio de Janeiro sustenta que 23 acusados na Operação
Firewall participavam de maneira violenta de protestos e planejavam
crimes na data da partida final da Copa do Mundo, em 13 de julho –
alguns deles foram presos na véspera.
No inquérito da operação policial, a
testemunha Rosângela de Brito Ferreira relatou à polícia que obteve
dinheiro no Sindipetro “para compra de quentinhas, passagens e material
para confecção de cartazes”. Ela disse que os recursos eram entregues
diretamente para Elisa Quadros, a Sininho, considerada pela polícia uma
das líderes dos baderneiros. A polícia suspeita que Elisa e o
ex-namorado Luiz Carlos Rendeiro Júnior, o Game Over, eram responsáveis
pela contabilidade dos manifestantes. Segundo Rosângela, durante invasão
da Câmara Municipal do Rio de Janeiro no ano passado, foram compradas
300 quentinhas para o almoço e 300 para o jantar. Ela disse ainda que
Jair Seixas Rodrigues, o “Baiano”, era ligado ao Sindipetro e recrutava
pessoas para manifestações em troca de pagamento.
“Baiano” foi investigado pela polícia e,
em depoimento, afirmou que pediu e recebeu quentinhas do Sindipetro-RJ
para manifestantes. De acordo com as investigações, ele recebeu dinheiro
do sindicato para arregimentar manifestantes e transportar black blocs
no violento protesto contra o leilão do campo de Libra, maior reserva de
petróleo da camada pré-sal do país.
Já se sabe também que houve ajuda no
fornecimento de refeições pelo Sepe, sindicato com mais de 30.000
filiados, para os manifestantes, de acordo com conversa telefônica de
Sininho, gravada com autorização judicial. Em 9 de junho deste ano, ela
menciona que fez contato com sindicatos como Sindipetro e Sepe para
obter cem “quentinhas” para índios da “Aldeia Maracanã”. Outro
investigado marcava reuniões no Sindsprev.
Christiane Gerardo Neves, uma das
integrantes da diretoria de finanças do Sindsprev, defende o
fornecimento de refeições para manifestações. Ela acusa a polícia de ser
responsável por atos violentos em manifestações e chama de “peça
tragicômica” o processo originado pela Operação Firewall. “Só vejo
baderna com participação dos policiais. Esse processo é uma peça
tragicômica de extremo mau gosto”, afirmou. O sindicato tem mais de
24.000 filiados e arrecada cerca de 1 milhão de reais por mês, de acordo
com Christiane.

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