Lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que vi aquele quadro. Eu tinha acabado de ministrar o louvor em uma igreja e ele estava ali, na sala que havia atrás do púlpito, pendurado no alto de uma parede. Não era uma pintura rebuscada nem mesmo bonita a ponto de me chamar tanta atenção.
Naquele momento, porém, eu estava bastante sensível ao Espírito Santo e acredito que foi ele quem me mostrou e me fez atentar para aquela pintura. Passei a perceber o significado, a mensagem transmitida por aquela obra de arte simples, mas intrigante, que retratava uma mulher diante de um espelho. O reflexo que ela via, no entanto, era formado por palavras.
Cada letra fora devidamente posicionada para que o rosto da mulher
aparecesse formado pelas palavras dentro do espelho. Acho que todas nós, ao olharmos para o espelho, também temos nossa imagem formada por palavras. Palavras que vêm à nossa mente sem ser de propósito. Elas simplesmente surgem, como que do inconsciente.
Palavras que escutamos desde o ventre da nossa mãe, na nossa infância, na adolescência, nas circunstâncias da vida que vão moldando a maneira como enxergamos a nós mesmas. Palavras boas ou ruins. Palavras que podem ter sido marcadas em nosso coração pelo amor ou por mentiras dolorosas sussurradas pelo inimigo de nossas almas — que só vem para matar, roubar e destruir (Jo 10.10).
Fiquei pensando sobre que palavras eu via quando me olhava em algum espelho. Que termos me definem aos meus próprios olhos? O que vejo quando minha imagem é formada naquela superfície fria e brilhante?

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