Existe uma canção considerada secular, que não obstante às circunstâncias, afirma uma grande verdade em sua letra: “amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves. Dentro do coração”. O vocábulo amigo facilmente é empregado fora de contexto; às vezes atribuído a um simples aspecto de coleguismo, o que julgo como uma incoerência, quando se leva em consideração o significado mais profundo que esta palavra revela. O Dicionário Eletrônico Houaiss traz para o vocábulo AMIGO, dentre outras, a seguinte definição: “o que ampara”. Esta definição, por sua vez, não poderia ser melhor, pois nos momentos de alegria e bonança somos facilmente cercados por muitas pessoas, entretanto, quando surge a crise, são poucos que permanecem ao nosso lado para nos amparar.
Destarte, se pode depreender que na maioria das vezes as pessoas costumam banalizar o uso do vocábulo “amigo”, atribuindo este tão significativo e expressivo termo a todos e a qualquer um. Contudo, nem sempre o verdadeiro “amigo” é aquele que está ao nosso lado nos tecendo elogios (nem sempre são sinceros); não são aqueles que nos visitam e estão constantemente a nossa volta, pois podem haver interesses escusos que os façam permanecer por perto. Amigo também não é aquele que está a seguir nossos passos, pois alguns veem em nossos caminhos a possibilidade de obterem benefícios próprios.
Assim, o verdadeiro amigo é aquele que permanece por perto, ou chega quando todos os outros se foram. O amigo é aquele que está disposto a amar e emprestar seu ombro companheiro principalmente nos momentos de crise, quando você está fraco e desacreditado pela grande maioria. O amigo é aquele que na crise, age como um irmão. O “amigo” não é interesseiro, mas, àquele que chora quando você chora e se alegra quando você se alegra (Rm 12.15), enfim, o “amigo” verdadeiro é aquele que quando você mais precisa, está lá para te AMPARAR. Já dizia o sábio:
“Em todo tempo ama o amigo, e NA ANGÚSTIA se faz o irmão.” [Pv 17.17 - ARA].
“O amigo ama sempre e NA DESGRAÇA ele se torna um irmão.” [Pv 17.17 - NTLH].
Mas, ainda que todos nos abandonem, ainda que as palavras que por ventura venham nos restar sejam críticas e afrontas, ainda que as frustrações tomem conta de nosso pobre coração , existe um que sempre estará ao nosso lado, que entende nossa humanidade fraca, corrompida e vulnerável, mas que apesar disso, é e sempre será nosso verdadeiro amigo para nos amparar. Jesus, sendo rico, tornou-se pobre para que fossemos abençoados; sendo Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus, mas esvaziou-se, encarnou e assumiu nossa humanidade para que pudesse, dentre outras coisas, nos entender perfeitamente assim como somos em nossa estrutura e forças. Ele sentiu o desprezo, angustiou-se, enfim, sentiu o que nós sentimos, e nos deixou uma grande mensagem: “Tenho vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).
Destarte, se pode concluir que amigo não é aquele que está disposto a sorrir quando estamos a festejar (embora isso faça parte), mas, principalmente aquele que chora quando estamos em lamento. O que passar disso é fingimento e hipocrisia (Rm 12.15). Fica a dica!

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