Uns dizem que são passos. Outros degraus. Seja lá como for a distância que falta ser percorrida para o hexa ficou mais difícil para o Brasil. A perda de Neymar para o resto da Copa com uma fratura tirou da seleção várias de suas possibilidades de ataque.
Ficou impossível? Não até porque na história o Brasil já ficou sem seu melhor jogador, Pelé, que já era o melhor do mundo em 62 no Chile teve uma distensão na virilha no segundo jogo e, a partir dali, ficamos sem o maior camisa 10 de todos os tempos e isso não impediu o Brasil de conquistar naquela Copa, o bi-campeonato mundial.
Ok, vá lá que tínhamos Garrincha e o anjo das pernas tortas não decepcionou. Jogou muito e em sua segunda participação num “torneio mixuruca” como ele definia o Mundial por não ter returno, foi o grande destaque daquela Copa e o país fez a festa de melhor do mundo pela segunda vez.
Para Felipão, Parreira e comandados o momento é de superação. Isso é o que pode tornar o Brasil mais perigoso não só contra a Alemanha, mas também numa final. Ficamos sem variações de ataque, sem o inesperado. Perdemos parte importante da genialidade, mas podemos ter ficado mais perigosos. A força de um grupo está não só em seus talentos, mas em seu espírito e isso foi demonstrado no jogo contra a Colômbia. Curiosamente o melhor do Brasil no Mundial e, não menos curioso, com uma atuação apagada de Neymar.
Claro que a Alemanha é mais perigosa e tem mais tradição que a Colômbia, mas também já passou por apuros nessa Copa. Para os alemães ficam agora um monte de interrogações. Quem irá entrar no lugar de Neymar? William para reforçar o meio? Bernard com sua alegria nas pernas para infernizar no ataque?
Se até agora havia uma certeza de que o Brasil tinha em campo um cara que podia decidir jogos numa jogada individual, no talento e na genialidade, agora existem 23 caras loucos para decidir até o último suspiro os passos ou degraus faltantes para aquele que, injustamente, foi tirado da Copa.
O esporte é sujeito a lesões. Sérias ou não elas fazem parte da vida dos atletas. O que, decididamente, não é admissível é o anti-esporte, a violência gratuita que pode dar uma guinada inesperada num evento como uma Copa do Mundo. Se a tecnologia já está em campo para se avisar que uma bola cruzou a linha e foi gol e do nada um juiz que não está de frente para o lance e não foi informado por seu assistente que um atacante colocou a mão na bola, onde está esta mesma tecnologia ou informação para punir alguém que entra sem bola nas costas de um adversário?
Certo é que a vértebra quebrada de Neymar também quebrou um pouco de todos os brasileiros, mas também os deixou mais fortes e para os 11 que irão entrar em campo na terça-feira dá uma carga de energia extra: lutar por tudo e também pelo cara que os ajudou, e muito, a chegar até aqui.
Que 62 se repita e surjam nesse grupo não um Garrincha ou um Amarildo, mas que todos virem possessos e mostrem, ainda mais, do que a seleção é feita por eles, pelo Brasil e por Neymar.

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