A rotina de dona Nailda Maria de Almeida, de 90 anos, começa às 3h, quando o dia ainda está longe de clarear. Ela disse que sempre foi assim. Acorda sem despertador. Vai à cozinha e coa o café para deixar para a filha e os netos. E fazer o cafezinho também é uma atividade que ela realiza na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Há 15 anos, no Departamento de Biologia Geral, no Campus Pampulha, em Belo Horizonte, ela prepara a bebida para professores e funcionários do setor.
Dona Nailda faz o cafezinho para o Departamento de Biologia Geral da UFMG (Foto: Alex Araújo/G1)
Dona Nailda faz o cafezinho para o Departamento de Biologia Geral da UFMG (Foto: Alex Araújo/G1)
Dona Nailda conta que sai de casa às 5h e que 15 minutos depois está na UFMG. “Eu chego, lavo as xícaras que ficaram de um dia pro outro e faço o café”. Na Pampulha, dona Nailda diz que faz, por dia, oito garrafas de café. “Fora as que eu levo para as defesas de tese”. Depois de repor a bebida, caminha dentro do campus, por cerca de uma hora.
O famoso café servido no Departamento de Biologia Geral da UFMG tem um segredinho. Dona Nailda disse que só faz em coador de pano e que não deixa a água levantar fervura. “Quando dão aquelas bolinhas na água eu já desligo o fogo e passo o café”, ensinou. Quanto à medida usada, disse que são três colheres de sopa de pó de café para uma leiteira. O adoçante ou o açúcar são colocados na xícara de acordo com o gosto do “freguês”. O mais curioso é que ela não bebe café.
A servidora pública, que está aposentada desde 1993, disse que começou a trabalhar na UFMG em janeiro de 1964. “Eu era agente de portaria lá na Rua Carangola”. Questionada se não preferia ficar em casa descansando, ela disparou. “Eu não gosto, não. Ficar dentro de casa é ruim”.
Ela credita tanta vitalidade a hábitos alimentares saudáveis. Cedo, depois de tomar o café da manhã, come uma fruta às 9h. E o almoço não é tarde. Às 10h30, saboreia uma porção de salada e destaca que coloca muito alho picado. Às 11h, vêm o arroz, o feijão e a carne. Ela disse também que nunca bebeu e que nunca fumou.
Lugarzinho onde dona Nailda tira um cochilo na hora do almoço (Foto: Alex Araújo/G1)
Lugarzinho onde dona Nailda tira um cochilo na hora
do almoço (Foto: Alex Araújo/G1)
Das 11h30 às 13h, dona Nailda tira um cochilo, sentada mesmo, em uma cadeira que fica no corredor. Depois, de volta ao batente, lava as vasilhas do almoço, enche o filtro de água e dá os últimos retoques na copa.
E todos os mimos feitos são reconhecidos pelo pessoal da biologia. “Quando a dona Nailda não vem trabalhar, essa cozinha fica uma bagunça, sem café. Nada funciona”, destaca a doutoranda em genética Bárbara Mendes, de 26 anos.
“Estou na UFMG há 22 anos e no Departamento de Biologia Geral há nove. A dona Nailda é um exemplo de superação, de bom humor e de compromisso”, elogia Noeli Viegas, de 49 anos, secretária do setor.
“É bom vir para cá e saber que a dona Nailda está aqui. Ela representa a mãe. Ela é referência para o departamento”, completa a assistente de laboratório Maria Rosa de Morais Petruceli, de 48 anos.
Os colegas também destacaram que dona Nailda é da época em que alguns professores da escola de biologia ainda eram estudantes. Além de fazer o café fresquinho e deixar a cozinha em ordem, dona Nailda é a responsável por fazer a reposição de sabonetes, de papéis toalha e higiênico. Dona Nailda tem uma filha de 70 anos, cinco netos e sete bisnetos.
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6 de out. de 2013
Disposta, dona Nailda, de 90 anos, trabalha na UFMG há 5 décadas
A rotina de dona Nailda Maria de Almeida, de 90 anos, começa às 3h, quando o dia ainda está longe de clarear. Ela disse que sempre foi assim. Acorda sem despertador. Vai à cozinha e coa o café para deixar para a filha e os netos. E fazer o cafezinho também é uma atividade que ela realiza na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Há 15 anos, no Departamento de Biologia Geral, no Campus Pampulha, em Belo Horizonte, ela prepara a bebida para professores e funcionários do setor.
Dona Nailda faz o cafezinho para o Departamento de Biologia Geral da UFMG (Foto: Alex Araújo/G1)
Dona Nailda faz o cafezinho para o Departamento de Biologia Geral da UFMG (Foto: Alex Araújo/G1)
Dona Nailda conta que sai de casa às 5h e que 15 minutos depois está na UFMG. “Eu chego, lavo as xícaras que ficaram de um dia pro outro e faço o café”. Na Pampulha, dona Nailda diz que faz, por dia, oito garrafas de café. “Fora as que eu levo para as defesas de tese”. Depois de repor a bebida, caminha dentro do campus, por cerca de uma hora.
O famoso café servido no Departamento de Biologia Geral da UFMG tem um segredinho. Dona Nailda disse que só faz em coador de pano e que não deixa a água levantar fervura. “Quando dão aquelas bolinhas na água eu já desligo o fogo e passo o café”, ensinou. Quanto à medida usada, disse que são três colheres de sopa de pó de café para uma leiteira. O adoçante ou o açúcar são colocados na xícara de acordo com o gosto do “freguês”. O mais curioso é que ela não bebe café.
A servidora pública, que está aposentada desde 1993, disse que começou a trabalhar na UFMG em janeiro de 1964. “Eu era agente de portaria lá na Rua Carangola”. Questionada se não preferia ficar em casa descansando, ela disparou. “Eu não gosto, não. Ficar dentro de casa é ruim”.
Ela credita tanta vitalidade a hábitos alimentares saudáveis. Cedo, depois de tomar o café da manhã, come uma fruta às 9h. E o almoço não é tarde. Às 10h30, saboreia uma porção de salada e destaca que coloca muito alho picado. Às 11h, vêm o arroz, o feijão e a carne. Ela disse também que nunca bebeu e que nunca fumou.
Lugarzinho onde dona Nailda tira um cochilo na hora do almoço (Foto: Alex Araújo/G1)
Lugarzinho onde dona Nailda tira um cochilo na hora
do almoço (Foto: Alex Araújo/G1)
Das 11h30 às 13h, dona Nailda tira um cochilo, sentada mesmo, em uma cadeira que fica no corredor. Depois, de volta ao batente, lava as vasilhas do almoço, enche o filtro de água e dá os últimos retoques na copa.
E todos os mimos feitos são reconhecidos pelo pessoal da biologia. “Quando a dona Nailda não vem trabalhar, essa cozinha fica uma bagunça, sem café. Nada funciona”, destaca a doutoranda em genética Bárbara Mendes, de 26 anos.
“Estou na UFMG há 22 anos e no Departamento de Biologia Geral há nove. A dona Nailda é um exemplo de superação, de bom humor e de compromisso”, elogia Noeli Viegas, de 49 anos, secretária do setor.
“É bom vir para cá e saber que a dona Nailda está aqui. Ela representa a mãe. Ela é referência para o departamento”, completa a assistente de laboratório Maria Rosa de Morais Petruceli, de 48 anos.
Os colegas também destacaram que dona Nailda é da época em que alguns professores da escola de biologia ainda eram estudantes. Além de fazer o café fresquinho e deixar a cozinha em ordem, dona Nailda é a responsável por fazer a reposição de sabonetes, de papéis toalha e higiênico. Dona Nailda tem uma filha de 70 anos, cinco netos e sete bisnetos.
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